‘Super-Terra’ pode ter água líquida como nosso planeta

Um planeta rochoso com 4,5 vezes a massa da Terra e que orbita uma estrela a “apenas” 22 anos-luz daqui é o mais novo candidato a conter água no estado líquido fora do Sistema Solar.

O GL 667Cc, que em termos astronômicos está na nossa “vizinhança”, é o quarto a ser identificado na chamada zona habitável de sua estrela.

Editoria de arte/Folhapress

Essa zona é a faixa onde os astrônomos calculam que o planeta possa receber uma quantidade de energia semelhante à que a Terra recebe do Sol.

Isso permite que a superfície do planeta tenha temperaturas semelhantes às daqui. O novo planeta é, agora, o que tem melhores chances de ter água líquida e condições de abrigar vida.

No entanto, para o astrônomo Fernando Roig, do Observatório Nacional, o que mais chama atenção são as características da estrela que ele orbita, a Gliese 667C.

Parte de um sistema com duas outras estrelas na constelação de Escorpião, ela tem uma atmosfera muito mais pobre em metais do que o Sol.

“Sempre se considerou que a presença desses elementos seria fundamental para a formação de planetas do tipo terrestre”, afirma Roig.

NADA A VER

A descoberta indica que a formação de planetas rochosos pode não ter nada a ver com a atmosfera da estrela que eles orbitam. “Esse é o primeiro exemplo de um planeta desse tipo orbitando uma estrela pobre em elementos pesados”.

Uma outra característica importante da Gliese 667C é o fato de ela ser uma anã vermelha do tipo M. Isso significa que ela é bem mais fria que o Sol, cuja superfície tem temperatura de 5.500ºC.

Na 667C, a temperatura da superfície está por por volta de 3.500ºC. E como sua massa é de 38% a do Sol, sua luminosidade equivale a apenas 0,3% a da nossa estrela.

Apesar disso, o que garante o potencial de vida no novo planeta é sua proximidade da estrela. Ele está a uma distância equivalente a três quartos do espaço entre Mercúrio e o Sol.

Essa proximidade dá ao planeta um período orbital muito curto, completando uma translação em 28 dias.

Além disso, grande parte de sua luz está na faixa infravermelha, que é bem absorvida na forma de calor.

Conforme explica a astrônoma Lucimara Pires Martins, professora do núcleo de astrofísica teórica da Universidade Cruzeiro do Sul, é ao redor desse tipo de estrela que há esperança de encontrar planetas “promissores”.

“Para encontrar água líquida, é preciso ter temperaturas amenas, então a busca vem se concentrando naquelas com temperatura equivalente ou mais frias que o Sol.”

O planeta foi detectado por meio das pequenas oscilações que sua gravidade provoca na órbita da estrela, que abriga ainda outro planeta, o GL 667Cb, localizado ainda mais perto. Seu período orbital é de apenas sete dias, o que o deixa muito quente para ter água líquida.

A descoberta das condições do novo planeta foi feita por astrônomos independentes a partir da análise de dados do ESO (Observatório Europeu do Sul), no Chile, e será publicada no “Astrophysical Journal Letters”.

Fonte: Folha.com

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